domingo, 25 de setembro de 2011

Torres del Paine - circuito grande. Parte 2: Paso John Garner

No Los Perros resolvemos desembolsar uma grana e compramos uma superfaturada bolacha, fora isso o resto das coisas vendidas são absurdamente caras. O campamento é grande, mas por se situar num bosque os locais para armar a barraca não são os mais apropriados já que há muitas raízes e pedras, há também uma espécie de salão do fogo onde o pessoal se reuniu para fazer comida e se esquentar/secar. Nesse mesmo salão um casal dormiu, pois sua barraca havia sido levada pelo vento perto do mirador do glaciar, ventos fortes!!!

Vista de uma clareira no Los Perros

Los Perros

 Fomos dormir depois de comer polenta com arroz, um verdadeiro soco no estomago, o dia seguinte seria o trecho mais difícil, o famoso John Garner. Acordamos e o tempo se mantinha nublado e garoando, o dia começou com subidas fortes num bosque que com a chuva havia se transformado num lamaçal, verdadeiramente cansativo subidas na lama! Isso se seguiu por quase 3 horas variando apenas na inclinação do terreno, o pior foi ter afundado as patas na lama, afundei uma até o joelho e quando fui me apoiar com a outra pra tirar a primeira, afundo a segunda também! Ainda bem que não tinha ninguém pra ver eu deitado rastejando na lama!
Pernas enlameadas ate o joelho
 


Logo depois a trilha sumiu e eu me perdi, mas acabei voltando e consegui encontrar o caminho de novo. O lamaçal acaba e a subida começa, uma subida de 1500 metros nas rochas que se tornam degraus e haja coxa e joelho, nessa subida claramente se vê os caminhos do degelo da neve que chegam até nós como fontes de água cristalina, além disso, há um rio cortando a rocha formando um pequeno (grande) canyon. A subida é cansativa, mas não é tão longa, as vezes sentamos nas rochas e descansamos observando toda região de cima, era assolador nossa pequenez numa região onde o Wild ainda é uma constante. O vento era cortante e nevava, mas logo chegamos à cruz que determina a passagem do Paso John Garner e onde os viajantes deixam alguma lembrança. 

Pico nevado e o degelo da neve

Paso John Garner.

Subidinha!
Paisagem de cima

Glaciar a direita

Nosotros

Neve
Neve!

O cansaço some quando aparece o lindíssimo glaciar Grey, apesar do tempo nublado e da visibilidade baixa é assombroso a imensidão de gelo cercado com picos nevados, breathtaking! Começamos a descida contentes que o "pior" já havia passado, não sabíamos que mais dificuldades estavam por vir. Descer, em teoria, é mais fácil que subir, mas não quando a descida é feita na lama com pedaços de tronco como degraus e com um desnível bastante acentuado. Os meus joelhos não doíam já os dos meus amigos estavam baleados. Íamos meio que caminhando meio que deslizando meio que caindo, e o glaciar ao nosso lado dava as caras de vez em quando aonde as arvores não cobriam completamente a visão.

Glaciar Grey

Glaciar Grey e montanhas atras!

Buracos no gelo.
Grey nos acompanhando na trilha

Clareira feita por um rio que desagua no glaciar



Chegamos ao campamento Paso que não conta com nenhuma estrutura e resolvemos ficar ali mesmo já que no Los Guardas, a 2 horas dali, também não contava com estrutura. Armamos nossas barracas sob a conversa das arvores (as arvores la balançam o tempo inteiro devido ao vento e ficam rangendo dando a impressão que vão desabar). Comemos nossa clássica massa ao molho de tomate e deitamos para descansar na organização normal das coisas, eu e o Lima numa barraca e o Pedroso na outra. No meio da noite uma voz nos chama perguntando se estamos acordados, ao que nos aparece o Pedroso na porta da barraca perguntando se pode dormir junto conosco por que acha que uma arvore vai desabar sobre a sua barraca, baita cagão!


Fizemos este trecho em 6 horas.

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