No Los Perros resolvemos desembolsar uma grana e compramos uma superfaturada bolacha, fora isso o resto das coisas vendidas são absurdamente caras. O campamento é grande, mas por se situar num bosque os locais para armar a barraca não são os mais apropriados já que há muitas raízes e pedras, há também uma espécie de salão do fogo onde o pessoal se reuniu para fazer comida e se esquentar/secar. Nesse mesmo salão um casal dormiu, pois sua barraca havia sido levada pelo vento perto do mirador do glaciar, ventos fortes!!!
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| Vista de uma clareira no Los Perros |
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| Los Perros |
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Fomos dormir depois de comer polenta com arroz, um verdadeiro soco no estomago, o dia seguinte seria o trecho mais difícil, o famoso John Garner. Acordamos e o tempo se mantinha nublado e garoando, o dia começou com subidas fortes num bosque que com a chuva havia se transformado num lamaçal, verdadeiramente cansativo subidas na lama! Isso se seguiu por quase 3 horas variando apenas na inclinação do terreno, o pior foi ter afundado as patas na lama, afundei uma até o joelho e quando fui me apoiar com a outra pra tirar a primeira, afundo a segunda também! Ainda bem que não tinha ninguém pra ver eu deitado rastejando na lama!
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| Pernas enlameadas ate o joelho |
Logo depois a trilha sumiu e eu me perdi, mas acabei voltando e consegui encontrar o caminho de novo. O lamaçal acaba e a subida começa, uma subida de 1500 metros nas rochas que se tornam degraus e haja coxa e joelho, nessa subida claramente se vê os caminhos do degelo da neve que chegam até nós como fontes de água cristalina, além disso, há um rio cortando a rocha formando um pequeno (grande) canyon. A subida é cansativa, mas não é tão longa, as vezes sentamos nas rochas e descansamos observando toda região de cima, era assolador nossa pequenez numa região onde o Wild ainda é uma constante. O vento era cortante e nevava, mas logo chegamos à cruz que determina a passagem do Paso John Garner e onde os viajantes deixam alguma lembrança.
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| Pico nevado e o degelo da neve |
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| Paso John Garner. |
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| Subidinha! | | |
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| Paisagem de cima |
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| Glaciar a direita |
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| Nosotros |
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| Neve |
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| Neve! |
O cansaço some quando aparece o lindíssimo glaciar Grey, apesar do tempo nublado e da visibilidade baixa é assombroso a imensidão de gelo cercado com picos nevados, breathtaking! Começamos a descida contentes que o "pior" já havia passado, não sabíamos que mais dificuldades estavam por vir. Descer, em teoria, é mais fácil que subir, mas não quando a descida é feita na lama com pedaços de tronco como degraus e com um desnível bastante acentuado. Os meus joelhos não doíam já os dos meus amigos estavam baleados. Íamos meio que caminhando meio que deslizando meio que caindo, e o glaciar ao nosso lado dava as caras de vez em quando aonde as arvores não cobriam completamente a visão.
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| Glaciar Grey |
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| Glaciar Grey e montanhas atras! |
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| Buracos no gelo. |
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| Grey nos acompanhando na trilha |
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| Clareira feita por um rio que desagua no glaciar |
Chegamos ao campamento Paso que não conta com nenhuma estrutura e resolvemos ficar ali mesmo já que no Los Guardas, a 2 horas dali, também não contava com estrutura. Armamos nossas barracas sob a conversa das arvores (as arvores la balançam o tempo inteiro devido ao vento e ficam rangendo dando a impressão que vão desabar). Comemos nossa clássica massa ao molho de tomate e deitamos para descansar na organização normal das coisas, eu e o Lima numa barraca e o Pedroso na outra. No meio da noite uma voz nos chama perguntando se estamos acordados, ao que nos aparece o Pedroso na porta da barraca perguntando se pode dormir junto conosco por que acha que uma arvore vai desabar sobre a sua barraca, baita cagão!
Fizemos este trecho em 6 horas.
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