sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Torres del Paine - circuito grande. Parte 3: Valle del Frances

Depois de dormir no aperto, Pedroso cagão durmindo junto, botamos o pé na trilha e acompanhando o Grey logo chegamos ao campamento Los Guardas que é quase igual ao que havíamos dormido, o Paso, sendo a única diferença que o Los Guardas conta com um mirador a alguns metros da área de camping. Antes desse campamento há escadas de metal cravadas na pedra que da para um cânion escavado por um rio, um pouco de emoção na descida e na subida!


O caminho entre o Los Guardas e o Grey é repleto de subidas e descidas no meio das árvores, é cansativo, mas é tranqüilo, o único problema foram as bolhas nos tornozelos que estavam em carne viva e bem infeccionadas, mas não da pra se grilar né? O dia ficou nublado até que alguns raios de sol escaparam, muito lindo ver as fendas no gelo e aquela brancura toda contrastando com o negro das montanhas mais atrás e o colorido do arco-íris que se formou por cima do glaciar!

Arco-iris


eu





Algumas horas depois, mais ou menos 5 horas, chegamos ao campamento Grey, que fica na beira do lago com o mesmo nome. O lugar conta com um refúgio, uma cabana de madeira com lareira e restaurante, o pessoal que vai chegando vai se reunindo ali pra se esquentar e se secar, bem legal. Chegamos a frente do grupo que fazia o mesmo circuito "conosco" (assim, as pessoas que estão fazendo o circuito mais ou menos se tornam conhecidos pois sempre nos vemos nos campamentos), e após armarmos as barracas em ótimos lugares e passarmos o migué no cara que cobrava quem ia chegando, fomos para dentro do refúgio aonde ficamos conversando e recarregando nossas baterias das máquinas fotográficas, que haviam sido completamente descarregadas e ocupadas em salvar cópias de um dos mais belos lugares do nosso planeta.

Tomamos um café com leite e pedimos água quente para o "mestre do fogão" no refúgio, colocamos a lentilha de molho na água para já ir amolecendo para não precisarmos cozinhar tanto. Após umas duas horas fizemos um arroz com lentilha, comida bem quente pra dar um novo animo na gurizada já que na beira do lago é bem frio. Comemos e o Lima se retirou para dormir, eu e o Pedro ficamos ali admirando o lago, quando o sol apareceu de novo no final da tarde iluminando a água e rompendo a camada de nuvens mostrando-nos as montanhas. Tiramos algumas fotos e fomos dormir, no dia seguinte estávamos decididos a avançar até o Italiano.

Campamento Grey



Por -do-sol





Dia seguinte, céu novamente encoberto, desmontamos acampamento, comemos nosso café-da-manhã tradicional (massa ao molho vermelho), limpamos os ferimentos e voltamos a marcha. Este trecho é repleto de subidas e é bem cansativo, se passa por alguns lagos e vários miradores, também nessa parte do circuito, já que contempla uma parte do circuito do W, há mais pessoas e mais "turistões" do estilo que levam tudo para a trilha, se encontram até crianças! Depois de umas duas horas de caminhada sob leve chuva começamos a avistar a distancia o lago Pehoé, é como avistar um pedaço do céu em terra no meio daquela paisagem de cores neutras como terra e pedras.

A chegada ao campamento Pehoé (Paine Grande) é indescritível, é outra realidade, há hotel e internet e já se vê os traços bem marcados de civilização, mas não é por isso que é indescritível, 'e por causa da aparição dos Cuernos e do lindíssimo lago. Os Cuernos são imensos e uma das visões mais belas do parque, parece composto por camadas diferentes de rochas, de cores diferentes. Compramos pão e sentamos a beira do lago descansando sob um solzinho justo, observando um único pato nadando tranqüilo.








Energias recuperadas fomos ate o Italiano em mais uma hora e meia de caminhada, eu recomendo se você quiser tomar banho e aproveitar um pouco de infra-estrutura, aproveite para fazer isso no Pehoé que é bem limpo, organizado e espaçoso. Essa caminhada ate o Italiano é a mais fácil, poucos desníveis e é curta também. O campamento situa-se no meio das arvores numa descida, estava bem cheio e armamos as barracas aonde deu, jantamos e nos preparamos para dormir. Bati um papo com um gurizão chileno quando fui pegar água, ele ficava me perguntando sobre o Valdivia, jogador do Palmeiras... Esquisito.


O Italiano é na base da perna do meio do W, e a subida dessa perna é o Valle del Frances, é uma bela subida acompanhada por um baita dum rio, é bem cansativa e pra piorar os caras colocam tabuas de madeira formando degraus altos que são um pesadelo pras pernas do mochileiro que já chega cansado, ainda bem  que havíamos deixado as mochilas dentro da barraca no campamento. Se sobe por umas 3 horas até a recompensa, o mirador do Valle, que é a visão mais bonita de todas de Torres del Paine, é um circulo de montanhas e paredões de rocha imensos, fazia um lindo dia, fresquinho com sol, um dia perfeito! Sentamos e ficamos la por umas 2 horas. A descida do Valle demorou uma hora e meia, eu me perdi num trecho da trilha, mas eu segui o rio e cheguei certinho no campamento!






Rio lindissimo






Kakasana











































Eu

Fizemos nosso rango e o Pedroso achou, no refeitório improvisado, um saco de leite em pó, que bela aquisição! Desarmamos as barracas e nos mandamos ate o campamento Los Cuernos que fica perto de um lago lindo com uma praia de pedrinhas pretas e brancas, a foto dessa praia é a capa do blog, uma caminhadinha tranqüila com um visual louco demais! No caminho uma avalanche numa das montanhas, barulhão! O Los Cuernos também conta com um refugio que oferece comes e bebes alem de uma vendinha, tudo muito caro. O local para acampar é no meio duns arbustos, bem esquisito. Uma vantagem desse é que tem banho e apos 8 dias sem, foi ótimo tirar o cascão. Eu e o Pedroso ainda conseguimos tirar umas fatias de pão de uma das mesas que recém tinha acabado de comer. Fomos dormir no colo dos Cuernos sabendo que nos restava pouco tempo no paraíso. 





Beira do lago

Praia

Mochileiros descansando


Próximo post: Final do circuito e subida as Torres.

domingo, 25 de setembro de 2011

Torres del Paine - circuito grande. Parte 2: Paso John Garner

No Los Perros resolvemos desembolsar uma grana e compramos uma superfaturada bolacha, fora isso o resto das coisas vendidas são absurdamente caras. O campamento é grande, mas por se situar num bosque os locais para armar a barraca não são os mais apropriados já que há muitas raízes e pedras, há também uma espécie de salão do fogo onde o pessoal se reuniu para fazer comida e se esquentar/secar. Nesse mesmo salão um casal dormiu, pois sua barraca havia sido levada pelo vento perto do mirador do glaciar, ventos fortes!!!

Vista de uma clareira no Los Perros

Los Perros

 Fomos dormir depois de comer polenta com arroz, um verdadeiro soco no estomago, o dia seguinte seria o trecho mais difícil, o famoso John Garner. Acordamos e o tempo se mantinha nublado e garoando, o dia começou com subidas fortes num bosque que com a chuva havia se transformado num lamaçal, verdadeiramente cansativo subidas na lama! Isso se seguiu por quase 3 horas variando apenas na inclinação do terreno, o pior foi ter afundado as patas na lama, afundei uma até o joelho e quando fui me apoiar com a outra pra tirar a primeira, afundo a segunda também! Ainda bem que não tinha ninguém pra ver eu deitado rastejando na lama!
Pernas enlameadas ate o joelho
 


Logo depois a trilha sumiu e eu me perdi, mas acabei voltando e consegui encontrar o caminho de novo. O lamaçal acaba e a subida começa, uma subida de 1500 metros nas rochas que se tornam degraus e haja coxa e joelho, nessa subida claramente se vê os caminhos do degelo da neve que chegam até nós como fontes de água cristalina, além disso, há um rio cortando a rocha formando um pequeno (grande) canyon. A subida é cansativa, mas não é tão longa, as vezes sentamos nas rochas e descansamos observando toda região de cima, era assolador nossa pequenez numa região onde o Wild ainda é uma constante. O vento era cortante e nevava, mas logo chegamos à cruz que determina a passagem do Paso John Garner e onde os viajantes deixam alguma lembrança. 

Pico nevado e o degelo da neve

Paso John Garner.

Subidinha!
Paisagem de cima

Glaciar a direita

Nosotros

Neve
Neve!

O cansaço some quando aparece o lindíssimo glaciar Grey, apesar do tempo nublado e da visibilidade baixa é assombroso a imensidão de gelo cercado com picos nevados, breathtaking! Começamos a descida contentes que o "pior" já havia passado, não sabíamos que mais dificuldades estavam por vir. Descer, em teoria, é mais fácil que subir, mas não quando a descida é feita na lama com pedaços de tronco como degraus e com um desnível bastante acentuado. Os meus joelhos não doíam já os dos meus amigos estavam baleados. Íamos meio que caminhando meio que deslizando meio que caindo, e o glaciar ao nosso lado dava as caras de vez em quando aonde as arvores não cobriam completamente a visão.

Glaciar Grey

Glaciar Grey e montanhas atras!

Buracos no gelo.
Grey nos acompanhando na trilha

Clareira feita por um rio que desagua no glaciar



Chegamos ao campamento Paso que não conta com nenhuma estrutura e resolvemos ficar ali mesmo já que no Los Guardas, a 2 horas dali, também não contava com estrutura. Armamos nossas barracas sob a conversa das arvores (as arvores la balançam o tempo inteiro devido ao vento e ficam rangendo dando a impressão que vão desabar). Comemos nossa clássica massa ao molho de tomate e deitamos para descansar na organização normal das coisas, eu e o Lima numa barraca e o Pedroso na outra. No meio da noite uma voz nos chama perguntando se estamos acordados, ao que nos aparece o Pedroso na porta da barraca perguntando se pode dormir junto conosco por que acha que uma arvore vai desabar sobre a sua barraca, baita cagão!


Fizemos este trecho em 6 horas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Torres del Paine - circuito grande.

Acordamos as 7 da manhã e logo embarcamos no ônibus para o Parque Nacional Torres del Paine para darmos início aos 9 dias de trekking. Após uma parada para comprar artesanato (os europeus adoram!), chegamos à guarderia Laguna Amarga e resolvemos percorrer o circuito no sentido anti-horário. O começo da trilha é lindo e se avistam as torres por trás, começa com uma subida e logo se chega num campo vasto e aberto, o que da uma sensação de liberdade e êxtase, que é seguido por uma paisagem do que era uma floresta e que fora substituída por um campo de margaridas após uma queimada (não faça fogueiras!), é tristemente lindo.



Início do trekking.

Vista sensacional.
Nada além de tudo.
  
Bosque encantado.

Continuamos a pernada e quando íamos preparar o almoço, o tempo que estava ensolarado virou e começou a chover razoavelmente, como se dissesse que não haveria molezas e para comermos mais tarde. O caminho era fácil e a trilha bem marcada e sinalizada não havendo grandes dificuldades nem subidas ou descidas, sendo o único empecilho atravessar uma pequena ponte que havia cedido e estava com as tábuas soltas... O Pedroso refrescou o pé na água gelada nessa daí! Hahahahahaha!



Chegamos ao acampamento Seron em tempos diferentes, pois na trilha preferíamos ir cada um no seu ritmo por vezes nos encontrando nos miradores ou no local planejado. Com o intuito de não pagar o camping nós fomos para a direita de quem chega aonde havia um pequeno morro e um grande rio e ali montamos o nosso acampamento. A chuva aliada ao nosso cansaço decretou que era hora de dormir e cada um comeu um pedaço de chocolate e umas barras de cereais e capotamos ouvindo apenas o barulho da chuva que açoitava nossa barraca e o vento tentando levar a mesma embora.



Fizemos esse percurso em 5 horas.


Acampamento na primeira noite.

Gurizada comendo massa pela manha.


Acordamos sob um céu que mais era uma parede de cimento e desmontamos acampamento enquanto a massa cozinhava, às 8 horas almoçamos e seguimos caminho que iria ate o Dickson. O caminho começa margeando o rio e é bem tranqüilo, até o momento que chega uma subida num morro bem íngreme e relativamente cansativa. Apos a subida vem a descida que foi tranqüila apesar de ser um lamaçal, atravessa-se um pequeno bosque e apos mais uma subida se vê o Campamento Dickson inserido num visual de tirar o fôlego: montanhas,picos nevados,rios,lagos,florestas, TUDO!



A descida ate o campamento é bem íngreme e com varias pedras soltas, mas o astral do lugar é de outro mundo e o sol dava as caras de novo. Fizemos um mate, chutamos umas bolas a gol (sim ha goleiras no Dickson), comemos e ficamos olhando outros viajantes chegando num estado lamentável. Este foi o ultimo dia bastante cansativo, o corpo já se acostumara e as bolhas já estouravam nos pés, dormimos cansados.



Subida.

Mirador do topo.

vista do Dickson


Vista do acampamento.



Fizemos este percurso em 5 horas, o Dickson conta com refugio e até banho quente, não fizemos uso de nenhum. Sua área de camping é muito boa.





Saímos cedo já que esse dia deveria ser mais cansativo, apos comermos nosso café-almoço, seguimos no que seria praticamente um dia de subidas em rochas. O começo desse trecho num lindíssimo bosque que é cortado por rios caudalosos e algumas cachoeiras, mais além a trilha torna-se uma subida e o terreno se torna rochas e terra seca, ficando mais cansativo. O vento torna-se um aliado ou um inimigo dependendo do seu sentido, nesse caso um inimigo, incessante, que nos força a ficar pouco tempo e ate a nos jogarmos no chão no topo do mirador,de onde se avista o glaciar Los Perros e o lago do seu degelo,



O campamento Los Perros fica literalmente no meio das arvores, apos descer do mirador se segue ate um rio e alguns minutos depois se chega ao dito cujo. 


Trilha terceiro dia

Cachoeira

Glaciar Los Perros

Eu, dalhe!


Proximo post: Continuação do circuito.