Depois de dormir no aperto, Pedroso cagão durmindo junto, botamos o pé na trilha e acompanhando o Grey logo chegamos ao campamento Los Guardas que é quase igual ao que havíamos dormido, o Paso, sendo a única diferença que o Los Guardas conta com um mirador a alguns metros da área de camping. Antes desse campamento há escadas de metal cravadas na pedra que da para um cânion escavado por um rio, um pouco de emoção na descida e na subida!
O caminho entre o Los Guardas e o Grey é repleto de subidas e descidas no meio das árvores, é cansativo, mas é tranqüilo, o único problema foram as bolhas nos tornozelos que estavam em carne viva e bem infeccionadas, mas não da pra se grilar né? O dia ficou nublado até que alguns raios de sol escaparam, muito lindo ver as fendas no gelo e aquela brancura toda contrastando com o negro das montanhas mais atrás e o colorido do arco-íris que se formou por cima do glaciar!
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| Arco-iris |
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| eu |
Algumas horas depois, mais ou menos 5 horas, chegamos ao campamento Grey, que fica na beira do lago com o mesmo nome. O lugar conta com um refúgio, uma cabana de madeira com lareira e restaurante, o pessoal que vai chegando vai se reunindo ali pra se esquentar e se secar, bem legal. Chegamos a frente do grupo que fazia o mesmo circuito "conosco" (assim, as pessoas que estão fazendo o circuito mais ou menos se tornam conhecidos pois sempre nos vemos nos campamentos), e após armarmos as barracas em ótimos lugares e passarmos o migué no cara que cobrava quem ia chegando, fomos para dentro do refúgio aonde ficamos conversando e recarregando nossas baterias das máquinas fotográficas, que haviam sido completamente descarregadas e ocupadas em salvar cópias de um dos mais belos lugares do nosso planeta.
Tomamos um café com leite e pedimos água quente para o "mestre do fogão" no refúgio, colocamos a lentilha de molho na água para já ir amolecendo para não precisarmos cozinhar tanto. Após umas duas horas fizemos um arroz com lentilha, comida bem quente pra dar um novo animo na gurizada já que na beira do lago é bem frio. Comemos e o Lima se retirou para dormir, eu e o Pedro ficamos ali admirando o lago, quando o sol apareceu de novo no final da tarde iluminando a água e rompendo a camada de nuvens mostrando-nos as montanhas. Tiramos algumas fotos e fomos dormir, no dia seguinte estávamos decididos a avançar até o Italiano.
| Campamento Grey |
| Por -do-sol |
Dia seguinte, céu novamente encoberto, desmontamos acampamento, comemos nosso café-da-manhã tradicional (massa ao molho vermelho), limpamos os ferimentos e voltamos a marcha. Este trecho é repleto de subidas e é bem cansativo, se passa por alguns lagos e vários miradores, também nessa parte do circuito, já que contempla uma parte do circuito do W, há mais pessoas e mais "turistões" do estilo que levam tudo para a trilha, se encontram até crianças! Depois de umas duas horas de caminhada sob leve chuva começamos a avistar a distancia o lago Pehoé, é como avistar um pedaço do céu em terra no meio daquela paisagem de cores neutras como terra e pedras.
A chegada ao campamento Pehoé (Paine Grande) é indescritível, é outra realidade, há hotel e internet e já se vê os traços bem marcados de civilização, mas não é por isso que é indescritível, 'e por causa da aparição dos Cuernos e do lindíssimo lago. Os Cuernos são imensos e uma das visões mais belas do parque, parece composto por camadas diferentes de rochas, de cores diferentes. Compramos pão e sentamos a beira do lago descansando sob um solzinho justo, observando um único pato nadando tranqüilo.
Energias recuperadas fomos ate o Italiano em mais uma hora e meia de caminhada, eu recomendo se você quiser tomar banho e aproveitar um pouco de infra-estrutura, aproveite para fazer isso no Pehoé que é bem limpo, organizado e espaçoso. Essa caminhada ate o Italiano é a mais fácil, poucos desníveis e é curta também. O campamento situa-se no meio das arvores numa descida, estava bem cheio e armamos as barracas aonde deu, jantamos e nos preparamos para dormir. Bati um papo com um gurizão chileno quando fui pegar água, ele ficava me perguntando sobre o Valdivia, jogador do Palmeiras... Esquisito.
O Italiano é na base da perna do meio do W, e a subida dessa perna é o Valle del Frances, é uma bela subida acompanhada por um baita dum rio, é bem cansativa e pra piorar os caras colocam tabuas de madeira formando degraus altos que são um pesadelo pras pernas do mochileiro que já chega cansado, ainda bem que havíamos deixado as mochilas dentro da barraca no campamento. Se sobe por umas 3 horas até a recompensa, o mirador do Valle, que é a visão mais bonita de todas de Torres del Paine, é um circulo de montanhas e paredões de rocha imensos, fazia um lindo dia, fresquinho com sol, um dia perfeito! Sentamos e ficamos la por umas 2 horas. A descida do Valle demorou uma hora e meia, eu me perdi num trecho da trilha, mas eu segui o rio e cheguei certinho no campamento!
| Rio lindissimo |
| Kakasana |
| Eu |
Fizemos nosso rango e o Pedroso achou, no refeitório improvisado, um saco de leite em pó, que bela aquisição! Desarmamos as barracas e nos mandamos ate o campamento Los Cuernos que fica perto de um lago lindo com uma praia de pedrinhas pretas e brancas, a foto dessa praia é a capa do blog, uma caminhadinha tranqüila com um visual louco demais! No caminho uma avalanche numa das montanhas, barulhão! O Los Cuernos também conta com um refugio que oferece comes e bebes alem de uma vendinha, tudo muito caro. O local para acampar é no meio duns arbustos, bem esquisito. Uma vantagem desse é que tem banho e apos 8 dias sem, foi ótimo tirar o cascão. Eu e o Pedroso ainda conseguimos tirar umas fatias de pão de uma das mesas que recém tinha acabado de comer. Fomos dormir no colo dos Cuernos sabendo que nos restava pouco tempo no paraíso.
| Beira do lago |
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| Praia |
| Mochileiros descansando |
Próximo post: Final do circuito e subida as Torres.








