Como prometido aqui dou início ao relato do mochilão que eu e dois baita amigos, Gustavo Lima e Pedro Pedroso, realizamos no ano de 2011, da metade de Janeiro até Fevereiro. Traçamos como nossa meta principal o contato direto com a natureza e também completarmos as trilhas tanto em Torres del Paine (Chile) como as em El Chaltén (Argentina) procurando gastar o menos possível, ou como nós mesmos falamos "na chinelagem".
| Pedroso e eu esperando na rodoviária |
Eu acredito que a toda viagem começa vários meses antes quando a idéia surge e é trabalhada na forma de roteiros e planejamentos. Deixando essa parte de lado, que se tornaria monótona ao ser narrada no blog, aqui começa meu relato desta empreitada, que contará com o auxílio do Lima, para deixar este mais detalhado e minucioso.
| Rodoviária de Buenos Aires |
Nosso roteiro,sempre de ônibus, se daria assim: de Porto Alegre iríamos até Buenos Aires e de lá a Rio Gallegos, capital da província de Santa Cruz. A partir daí nosso objetivo seria chegar a Puerto Natales, cidade base para aqueles que pretendem ir a Torres del Paine.
Partimos de Porto Alegre rumo a Buenos Aires, 18 horas de viagem, num ônibus quente repleto de argentinas tostadas do sol das praias de Santa Catarina! Como era de noite, dormimos para acordar em Buenos Aires. Chegamos com 3 horas de intervalo para matar até nosso ônibus para o Sul e nesse tempo conhecemos a rodoviária, que não é nada de mais: muito suja e feia, e compramos algo para comer.Logo embarcamos no ônibus seguinte, mais 36 horas de viagem no Expresso Pinguino!
| Paisagens que nos acompanharam nesse trecho. |
Esse (longo) trecho foi marcado por belas paisagens de descampados até o horizonte onde morros cortam a linha do céu, e retas que parecem infinitas. O ônibus era quente e os bancos estreitos, mas o preço era menor e nos divertimos com os filmes colocados.Tivemos poucos percalços nesse percurso, paramos no meio da noite por que o ônibus havia superaquecido e ficamos presos por uma hora e meia em Bahía Blanca. Conhecemos diversas rodoviárias das cidades pelas quais passávamos, dou destaque para a de Bahía Blanca, que era muito limpa, tranquila e ,bem... branca!
Chegando a Rio Gallegos fomos direto aos guichês de passagens para decidirmos nosso próximo destino, mas, por causa do fechamento da cidade de Puerto Natales em protesto ao aumento do preço do gás, tivemos que comprar uma passagem para a cidade fronteiriça com o Chile: Rio Turbio (depois esse nome viraria um chavão nosso). Compramos a passagem, e após comermos alguns pães comprados no Carrefour e esperarmos várias horas, tomamos o ônibus à desconhecida cidade, onde passaríamos um pouco de trabalho,pela primeira vez na viagem.
Saímos de tardezinha e chegamos por volta das 11 horas da noite em Rio Turbio, uma cidade MUITO pequena, sem terminal rodoviário e sem nenhum hostel ou albergue. Pedimos informações na agencia dos ônibus sobre onde comprar a passagem para Puerto Natales e lugares para passarmos a noite , mas o funcionário apenas falava o nome do que julgamos ser de uma empresa de transporte e ,após falar com um casal frances, decidiu fechar o lugar. Interpelei o casal e eles falaram que havia um alojamento por perto e se foram procurá-lo e nós fomos atrás da empresa de transporte para comprarmos a passagem. Não achando ela de jeito nenhum, decidimos encontrar um lugar para dormir e saímos à procura pela cidade. Caminhamos por uma hora e nada de abrigo! Avistamos uma casa com vários carros na frente e resolvemos arriscar, bati na porta e uma senhora abriu e confirmou que ali era o abrigo mencionado mas que já não havia vagas! Nisso já passava da uma hora da manhã e voltamos para a frente do estacionamento do ônibus em que havíamos chegado.
| Acampamento no estacionamento da polícia. |
Ali havia uma delegacia e após conversarmos entre nós três, resolvemos pedir um lugar ali mesmo, apenas até o sol nascer, mas nada de o policial concordar. Voltamos à frente da estação policial e esperamos... Por volta das 3 da manhã o policial saiu e disse que podíamos armar a barraca no estacionamento, porém deveríamos sair até as 7.Não preciso nem dizer que concordamos felizes pois estava um frio de rachar! O estacionamento era cheio de pedras e armamos apenas uma barraca (uma super esquilo 2/3 da Trilhas e rumos) amontoando-nos dentro. Ahhh não há nada como uma bela noite de sono! Infelizmente não foi isso que tivemos, pois com os três dentro da barraca não havia espaço para sacos de dormir e eu e o Pedro dormimos sentados (embolotados) e o Lima apenas esperou o tempo passar.
Ao amanhecer levantamos acampamento e fomos,novamente, atrás das passagens. No caminho fomos parados por um morador local chamado Juan, que queria nos levar para a casa dele, o que preferimos não fazer. Depois de muito vagar encontramos a venda de passagens que só abriria as 10 da manhã, assim como todo o resto da cidade... decidimos esperar na frente. Estávamos ali conversando quando aparece o Juan, que pede para nós esperarmos ali e vai em direção à sua casa, voltando alguns minutos depois com biscoitos, panetone, água quente, café e chá! Uma bela surpresa com apenas um preço, ficar ouvindo as histórias dele, uma grande teia de mentiras nas quais ele se atrapalhava todo... até na idade ele se enrolou! Demos risadas e quando bateu 10 horas entramos e compramos passagens para nosso destino: Puerto Natales! Entramos no pequeno ônibus certos de que logo estaríamos pisando nas trilhas de Torres del Paine...
No próximo post: resumo da cidade de Puerto Natales.
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